{"id":30,"date":"2024-12-08T18:41:37","date_gmt":"2024-12-08T18:41:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/?p=30"},"modified":"2024-12-08T18:52:11","modified_gmt":"2024-12-08T18:52:11","slug":"inicio-precoce-das-chuvas-periodos-de-seca-precoce-e-o-que-esta-para-vir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/pt\/2024\/12\/08\/inicio-precoce-das-chuvas-periodos-de-seca-precoce-e-o-que-esta-para-vir\/","title":{"rendered":"Inicio precoce das chuvas, per\u00edodos de seca precoce e o que est\u00e1 para vir"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Tamuka Magadzire, traduzido por Mario Bas\u00edlio<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando come\u00e7a a \u00e9poca chuvosa? Um olhar no in\u00edcio sazonal<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Estamos a 1 de Dezembro de 2024 e uma nova esta\u00e7\u00e3o chuvosa de na Regi\u00e3o da \u00c1frica Austral \u2013 bem, quase nova! Efectivamente a \u00e9poca chuvosa normalmente inicia entre Setembro e Dezembro, dependendo do local espec\u00edfico (<em>Ver Figura 1<\/em>). Por exemplo, na regi\u00e3o centro de Angola, noroeste da RDC, leste da \u00c1frica do Sul, Essuat\u00edni e Lesoto, o in\u00edcio efectivo das chuvas geralmente ocorre no m\u00eas de Outubro. Em contraste, \u00e1reas como o Malawi, o norte de Mo\u00e7ambique, o Botswana e a Nam\u00edbia registam o in\u00edcio efectivo da \u00e9poca chuvosa \u00e9 a partir de Dezembro. Para a maioria da \u00c1frica Austral, contudo, Novembro \u00e9 o ponto de partida habitual. Talvez n\u00e3o tenha reparado no termo \u201cin\u00edcio efetivo das chuvas\u201d mencionado diversas vezes, mas o que significa realmente? Refere-se \u00e0 precipita\u00e7\u00e3o que ocorre em quantidades suficientes e durante um per\u00edodo consider\u00e1vel a fim de garantir o sucesso da planta\u00e7\u00e3o, da germina\u00e7\u00e3o e do estabelecimento da cultura \u2013 essencialmente, chuva que \u00e9 significativa do ponto de vista agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"809\" src=\"https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig1-1-1024x809.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31\" srcset=\"https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig1-1-1024x809.jpg 1024w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig1-1-300x237.jpg 300w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig1-1-768x607.jpg 768w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig1-1-1536x1214.jpg 1536w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig1-1.jpg 1801w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong><em>Figura 1.<\/em><\/strong> Mediana do in\u00edcio da \u00e9poca chuvosa com base em dados hist\u00f3ricos de precipita\u00e7\u00e3o. O in\u00edcio m\u00e9dio da \u00e9poca chuvosa \u00e9 calculado utilizando os dados de precipita\u00e7\u00e3o do sat\u00e9lite CHIRPS de 1981\/82 a 2023\/24. Fonte:<em> FEWSNET, an\u00e1lise feita com recurso ao GeoWRSI.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>At\u00e9 aqui tudo bem? Rastreando o in\u00edcio precoce das chuvas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a an\u00e1lise de dados de precipita\u00e7\u00e3o por sat\u00e9lite <a href=\"https:\/\/www.chc.ucsb.edu\/monitoring\">da UCSB CHC<\/a>, as chuvas efectivas na maioria das \u00e1reas come\u00e7aram perto das datas normais de in\u00edcio, particularmente nas regi\u00f5es onde a \u00e9poca chuvosa normalmente inicia no m\u00eas de Novembro. No entanto, foram observados ligeiros atrasos nas regi\u00f5es centro de Angola, leste da \u00c1frica do Sul e no leste de Madag\u00e1scar, que tamb\u00e9m registaram chuvas abaixo da m\u00e9dia at\u00e9 ao momento. Apesar destes atrasos localizados, a maioria das \u00e1reas recebeu chuvas que favoreceram o crescimento das culturas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Figura 2 mostra a distribui\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o desde Outubro, destacando as \u00e1reas com precipita\u00e7\u00e3o abaixo do normal (castanho), precipita\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima do normal (branco) e precipita\u00e7\u00e3o acima do normal (verde\/azul).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig2-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32\" srcset=\"https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig2-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig2-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig2-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig2-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig2-1.jpg 1338w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong><em>Figura 2.<\/em><\/strong> Imagem de Sat\u00e9lite (CHIRPS) mostrando a precipita\u00e7\u00e3o de 1 de Outubro a 20 de Novembro de 2024 expressa uma diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia. As \u00e1reas amarelas e castanhas mostram regi\u00f5es onde as chuvas estiveram abaixo do normal durante este per\u00edodo, enquanto as \u00e1reas verdes e azuis receberam chuvas acima do normal. Fonte: <em>UCSB CHC<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um per\u00edodo de seca no in\u00edcio da \u00e9poca chuvosa: o que est\u00e1 a acontecer?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No geral, as chuvas iniciaram na altura certa, permitindo aos agricultores plantar no momento certo. A precipita\u00e7\u00e3o tem estado pr\u00f3xima da m\u00e9dia ou acima do normal em muitas \u00e1reas, promovendo a germina\u00e7\u00e3o e o estabelecimento das culturas. Essa foi a boa not\u00edcia. No entanto, quando inici\u00e1mos o m\u00eas de Dezembro, foram emitidas v\u00e1rias previs\u00f5es prevendo condi\u00e7\u00f5es de seca para o in\u00edcio de Dezembro. No seu recente boletim meteorol\u00f3gico semanal, o Departamento Meteorol\u00f3gico da Z\u00e2mbia divulgou uma previs\u00e3o de precipita\u00e7\u00e3o inferior a 25 mm e temperaturas \u201cquentes\u201d, na maior parte do pa\u00eds, para o per\u00edodo de 30 de Novembro a 6 de Dezembro. Da mesma forma, o Departamento de Servi\u00e7os Meteorol\u00f3gicos do Zimbabu\u00e9 (MSD-Z) emitiu um \u201c<em>Watch<\/em>\u201d indicando que s\u00e3o esperadas \u201ccondi\u00e7\u00f5es relativamente secas e quentes\u201d durante a maior parte do Zimbabu\u00e9 para o per\u00edodo de 30 de Novembro a 11 de Dezembro. E num comunicado de imprensa emitido a 1 de Dezembro, o Departamento de Servi\u00e7os Meteorol\u00f3gicos do Botswana alertou para uma onda de calor esperada de 2 a 6 de Dezembro, com temperaturas que dever\u00e3o subir at\u00e9 aos 41 graus Celsius em algumas zonas.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00faltimas previs\u00f5es de precipita\u00e7\u00e3o e temperatura do Centro Europeu de Previs\u00f5es Meteorol\u00f3gicas a M\u00e9dio-Prazo (ECMWF) indicam que os avisos emitidos pelo Botswana, Z\u00e2mbia e Zimbabu\u00e9 fazem parte de um sistema mais amplo, sendo prov\u00e1vel que persistam chuvas abaixo do normal durante as pr\u00f3ximas duas semanas. A Figura 3 destaca as \u00e1reas com previs\u00e3o de precipita\u00e7\u00e3o abaixo do normal, apresentadas a laranja.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante notar que as previs\u00f5es se tornam menos fi\u00e1veis \u00e0 medida que projetam o futuro. Por exemplo, a previs\u00e3o para 2 a 9 de Dezembro na Figura 3 tem maior probabilidade de ser precisa do que a previs\u00e3o para 9 a 16 de Dezembro. Para resolver esta incerteza inerente, estas previs\u00f5es de 1 a 2 semanas s\u00e3o atualizadas e refinadas diariamente, e em alguns casos v\u00e1rias vezes por dia, garantindo que a informa\u00e7\u00e3o mais precisa esteja dispon\u00edvel a qualquer momento. No entanto, isto tamb\u00e9m significa que as previs\u00f5es podem mudar significativamente ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a previs\u00e3o do ECMWF baseia-se num modelo meteorol\u00f3gico \u00e0 escala global e, embora forne\u00e7a informa\u00e7\u00f5es valiosas, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica ferramenta de previs\u00e3o dispon\u00edvel. Diferentes modelos e previs\u00f5es fornecem frequentemente perspetivas variadas, pelo que \u00e9 sempre recomend\u00e1vel consultar o Servi\u00e7o Meteorol\u00f3gico e Hidrol\u00f3gico Nacional (NMHS) para interpreta\u00e7\u00e3o e contexto localizado. Os especialistas em clima do NMHS t\u00eam experi\u00eancia em trabalhar com v\u00e1rios modelos e, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o cont\u00ednuas, compreendem quais os modelos com melhor desempenho se adequam em condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. O objectivo principal da inclus\u00e3o da previs\u00e3o do ECMWF aqui \u00e9 ilustrar a natureza regional e generalizada das condi\u00e7\u00f5es de seca assinaladas pelos servi\u00e7os meteorol\u00f3gicos de Botswana, Z\u00e2mbia e Zimbabu\u00e9, e n\u00e3o servir como um aviso aut\u00f3nomo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"580\" src=\"https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig3-2048x1160-1-1024x580.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33\" srcset=\"https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig3-2048x1160-1-1024x580.jpg 1024w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig3-2048x1160-1-300x170.jpg 300w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig3-2048x1160-1-768x435.jpg 768w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig3-2048x1160-1-1536x870.jpg 1536w, https:\/\/agrometeorology.info\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sawa_Blog1_Fig3-2048x1160-1.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong><em>Figura 3.<\/em><\/strong> Previs\u00f5es de precipita\u00e7\u00e3o do ECMWF para o per\u00edodo de 2 a 16 de Dezembro de 2024, emitidas a 30 de Novembro de 2024. As \u00e1reas laranja mostram onde se prev\u00ea que a precipita\u00e7\u00e3o seja abaixo do normal, enquanto as \u00e1reas verdes mostram onde se prev\u00ea que a precipita\u00e7\u00e3o esteja acima do normal. Nas \u00e1reas brancas, os modelos n\u00e3o conseguiram determinar com seguran\u00e7a se a precipita\u00e7\u00e3o estaria acima ou abaixo do normal. Fonte da imagem: <em>ECMWF (CCBY4.0). Descarregado e adaptado de Gr\u00e1ficos de previs\u00e3o do ECMWF .<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As previs\u00f5es de temperatura do ECMWF para o mesmo per\u00edodo preveem que a temperatura do ar estar\u00e1 acima da m\u00e9dia em muitas das \u00e1reas onde se prev\u00ea precipita\u00e7\u00e3o abaixo do normal. Isto acontece normalmente \u2013 \u00e0 medida que as condi\u00e7\u00f5es se tornam mais secas durante um per\u00edodo de seca no ver\u00e3o, as temperaturas tamb\u00e9m aumentam, porque o efeito de arrefecimento da \u00e1gua que evapora das superf\u00edcies e transpira das plantas desaparece, \u00e0 medida que as superf\u00edcies, especialmente os solos, ficam mais secas. Depois, as temperaturas mais elevadas fazem com que se perca mais humidade do solo e \u00e1gua das plantas devido \u00e0 evapotranspira\u00e7\u00e3o e, assim, segue-se um ciclo de condi\u00e7\u00f5es cada vez mais quentes e secas. Este estado persiste normalmente at\u00e9 que volte a chover, e isto acontece geralmente devido a altera\u00e7\u00f5es nos sistemas clim\u00e1ticos mais amplos que provocam o per\u00edodo de seca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Gerir os primeiros per\u00edodos de seca: impactos, estrat\u00e9gias e o desafio do aumento da temperatura<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Dado que alguns agricultores j\u00e1 tinham plantado com as chuvas que ca\u00edram nos meses de Outubro e Novembro, o per\u00edodo de seca pode levantar preocupa\u00e7\u00f5es ao seu prov\u00e1vel impacto nas culturas jovens. As culturas de cereais numa fase mais precoce de desenvolvimento tendem a necessitar de menos \u00e1gua e, por isso, o impacto de ligeiros d\u00e9fices de \u00e1gua \u00e9 geralmente menos grave do que quando a cultura se encontra numa fase de maturidade mais avan\u00e7ada. Por outro lado, a humidade insuficiente do solo logo ap\u00f3s a planta\u00e7\u00e3o e durante a fase de germina\u00e7\u00e3o pode fazer com que algumas sementes n\u00e3o germinem completamente ou levar a uma germina\u00e7\u00e3o fraca e irregular. Isto poderia ent\u00e3o resultar em estabelecimento deficiente da cultura e povoamentos irregulares das plantas, que normalmente afectam o rendimento das culturas.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o prevalecente real\u00e7a a import\u00e2ncia de compreender at\u00e9 que ponto os per\u00edodos de seca na \u00e9poca chuvosa podem afectar as culturas. Trabalhos anteriores, particularmente na \u00e1rea da agricultura de conserva\u00e7\u00e3o, sugerem que v\u00e1rias medidas podem ajudar a melhorar os resultados durante os per\u00edodos de seca. Uma dessas medidas \u00e9 a irriga\u00e7\u00e3o suplementar, que <em>Nangia et al [1]<\/em>. define como \u201ca adi\u00e7\u00e3o de quantidades limitadas de \u00e1gua \u00e0s culturas essencialmente de sequeiro para melhorar e estabilizar os rendimentos quando a chuva n\u00e3o fornece humidade suficiente para o crescimento normal das plantas\u201d, e demonstrou melhorar consistentemente os rendimentos de trigo num estudo quando aplicado no momento da sementeira <em>[2]<\/em>. Isto sublinha a necessidade cr\u00edtica de aumentar a adop\u00e7\u00e3o de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e expandir as instala\u00e7\u00f5es operacionais de irriga\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, a cobertura morta (<em>mulching<\/em>) tamb\u00e9m demonstrou ser uma forma eficaz de conservar a humidade do solo e, assim, aumentar a \u00e1gua dispon\u00edvel para as culturas durante os per\u00edodos de seca <em>[3]<\/em>, particularmente ap\u00f3s a germina\u00e7\u00e3o da cultura, uma vez que a cobertura morta suprime a germina\u00e7\u00e3o das plantas, incluindo as ervas daninhas. A remo\u00e7\u00e3o de ervas daninhas com perturba\u00e7\u00e3o m\u00ednima do solo protege as culturas, reduzindo a press\u00e3o das ervas daninhas e a competi\u00e7\u00e3o pelo solo escasso e humedecido durante os per\u00edodos de seca. Nos casos em que a germina\u00e7\u00e3o \u00e9 fraca, os agricultores podem ser obrigados a preencher as lacunas ou a proceder \u00e0 replanta\u00e7\u00e3o imediata sempre que necess\u00e1rio, se os recursos o permitirem. Em muitas \u00e1reas, o per\u00edodo de planta\u00e7\u00e3o permanece aberto, com oportunidades de planta\u00e7\u00e3o que se estendem at\u00e9 Dezembro e, em alguns casos, pode ir at\u00e9 Janeiro. Com o aumento das temperaturas j\u00e1 a ocorrer no \u00e2mbito das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, o impacto do stress t\u00e9rmico na sa\u00fade animal e humana tornou-se uma preocupa\u00e7\u00e3o adicional. A exposi\u00e7\u00e3o prolongada ao calor pode levar \u00e0 desidrata\u00e7\u00e3o, exaust\u00e3o pelo calor ou insola\u00e7\u00e3o, particularmente entre grupos vulner\u00e1veis, e especialmente para os que trabalham ao ar livre, como \u00e9 o caso dos trabalhadores agr\u00edcolas envolvidos em trabalhos fisicamente exigentes. Na sua observa\u00e7\u00e3o para o per\u00edodo de 30 de Novembro a 11 de Dezembro, a MSD-Z enfatizou a import\u00e2ncia de se manter hidratado e de se proteger da luz solar direta durante este per\u00edodo quente e seco. O gado \u00e9 tamb\u00e9m altamente suscept\u00edvel ao <em>stress<\/em> t\u00e9rmico, o que pode levar \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da produtividade, a desafios de fertilidade e a uma maior vulnerabilidade a doen\u00e7as. Garantir disponibilidade de \u00e1gua suficiente para o gado durante os per\u00edodos quentes \u00e9 crucial para manter a sua sa\u00fade e mitigar potenciais perdas na produtividade agr\u00edcola. Esta n\u00e3o \u00e9 uma lista exaustiva ou oficial de interven\u00e7\u00f5es a implementar durante um per\u00edodo de seca, nem pretende ser um aconselhamento. As decis\u00f5es agr\u00edcolas s\u00e3o espec\u00edficas para cada situa\u00e7\u00e3o e devem ser tomadas com uma considera\u00e7\u00e3o cuidadosa das condi\u00e7\u00f5es actuais e previstas, em estreita consulta com especialistas da \u00e1rea, tais como os extensionistas agr\u00edcolas ou agr\u00f3nomos. \u00c9 tamb\u00e9m essencial aceder regularmente as previs\u00f5es continuamente actualizadas e confiar em previs\u00f5es oficiais de fontes oficiais, tais como os Servi\u00e7os Meteorol\u00f3gicos e Hidrol\u00f3gicos Nacionais (NMHS), para informar estas decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perspetiva sazonal: navegar nos primeiros per\u00edodos de seca com esperan\u00e7a de melhores queda de precipita\u00e7\u00e3o no futuro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>As previs\u00f5es sazonais para a \u00e9poca 2024\/25 emitidas pelo Centro de Servi\u00e7os Clim\u00e1ticos da SADCC (CSC), bem como pelos Servi\u00e7os Nacionais de Meteorologia, indicaram expectativas de precipita\u00e7\u00e3o normal acima do normal em muitas \u00e1reas, oferecendo esperan\u00e7a da queda de boas chuvas. No entanto, os meteorologistas destes servi\u00e7os nacionais tamb\u00e9m salientaram que a primeira metade da temporada, de Outubro a Dezembro de 2024, poder\u00e1 ser mais intensa do que o habitual, com uma previs\u00e3o de chuvas normal com tend\u00eancia para abaixo do normal em muitas regi\u00f5es. Em contraste, uma previs\u00e3o mais optimista de precipita\u00e7\u00e3o normal para acima do normal esperasse na segunda metade da \u00e9poca. O per\u00edodo de seca actual\/previsto que est\u00e1 a ocorrer \u00e9, portanto, algo consistente com a previs\u00e3o de precipita\u00e7\u00e3o normal com tend\u00eancia para abaixo do normal nos primeiros meses da \u00e9poca chuvosa, em muitas \u00e1reas (embora, reconhecidamente, em diferentes escalas de tempo). Navegar e gerir com sucesso estas primeiras condi\u00e7\u00f5es de seca poder\u00e1 posicionar os agricultores para tirar partido de um clima potencialmente mais favor\u00e1vel na segunda metade da \u00e9poca, assumindo que a previs\u00e3o de precipita\u00e7\u00e3o normal com tend\u00eancia para acima do normal que se espera nos meses de Janeiro a Mar\u00e7o de 2025 se concretize.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quais s\u00e3o os seus pensamentos? Participe na conversa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 agricultor, agente extensionista, agr\u00f3nomo ou outra parte interessada? Adoraria ouvir as vossas experi\u00eancias e opini\u00f5es sobre este t\u00f3pico na sec\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios abaixo. Quais s\u00e3o as suas expectativas tendo em conta o per\u00edodo de seca previsto? Que estrat\u00e9gias ou a\u00e7\u00f5es planeia implementar para enfrentar estas condi\u00e7\u00f5es de seca? Se \u00e9 um analista ou especialista em sistemas de conhecimento ind\u00edgenas, estou curioso para conhecer as suas perspetivas e perce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado por ter tido tempo para ler esta publica\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao final! O seu feedback \u00e9 inestim\u00e1vel &#8211; diga-me a sua opini\u00e3o sobre este t\u00f3pico nos coment\u00e1rios e sinta-se \u00e0 vontade para partilhar quais os t\u00f3picos que gostaria de ver abordados em futuros artigos do blog SAWA. Vamos continuar a conversa sobre as quest\u00f5es agrometeorol\u00f3gicas na \u00c1frica Austral. Juntos, podemos partilhar conhecimentos sobre o impacto do clima na agricultura e contribuir para uma base de conhecimentos colectiva que ajuda a melhorar a produ\u00e7\u00e3o e produtividade agr\u00edcola bem como as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Suporte ao idioma local<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Sou um apaixonado por colocar este tipo de informa\u00e7\u00e3o nas l\u00ednguas locais para facilitar o consumo pelas comunidades. Se quiser traduzir esta publica\u00e7\u00e3o do blogue para o seu idioma local, por favorentre em <a href=\"https:\/\/agrometeorology.info\/contact.php\">contacto aqui<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leitura adicional<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>[1] Nangia, V., Oweis, TY, Kemeze, FH e Schnetzer, J., 2018. Irriga\u00e7\u00e3o suplementar: uma pr\u00e1tica climaticamente inteligente promissora para a agricultura de sequeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Ilbeyi, A., Ustun, H., Oweis, T., Pala, M. e Benli, B., 2006. Produtividade e rendimento h\u00eddrico do trigo num ambiente fresco de terras altas: Efeito da sementeira precoce com irriga\u00e7\u00e3o suplementar.<em>Agr\u00edcolaGest\u00e3o da \u00c1gua<\/em>,<em>82<\/em>(3), pp.399-410.<\/p>\n\n\n\n<p>[3] El-Beltagi, HS, Basit, A., Mohamed, HI, Ali, I., Ullah, S., Kamel, EA, Shalaby, TA, Ramadan, KM, Alkhateeb, AA e Ghazzawy, HS, 2022. Mulchingas uma pr\u00e1tica sustent\u00e1vel de poupan\u00e7a de \u00e1gua e de solos na agricultura: uma revis\u00e3o.<em>Agronomia<\/em>,<em>12<\/em>(8), p\u00e1g. 1881.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tamuka Magadzire, traduzido por Mario Bas\u00edlio Quando come\u00e7a a \u00e9poca chuvosa? 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